O que nos falta são líderes

Eu sei o que é um líder, mas fiz questão de recorrer a um dicionário para que tivesse uma definição perfeita do que significa a palavra líder, e mais do que isso tentar buscar uma explicação para o fato de, em nosso estado, o Maranhão e em nosso país, o Brasil, nós não termos líderes.

Vejamos o que diz o dicionário. “Líder: indivíduo que tem autoridade para comandar ou coordenar outros; pessoa cujas ações e palavras exercem influência sobre o pensamento e comportamento de outras”.

Para ser um líder o sujeito não precisa ser um mandatário, ter um cargo político, ser vereador, deputado, senador, prefeito, governador ou presidente. Um líder não precisa mudar a praxe e se denominar “presidenta”, uma vez que a líder resolve o problema com a simples utilização de um “a”, artigo feminino que define o sexo do ocupante do cargo presidencial.

Alguém disse que o que nós brasileiros realmente precisamos é de termos menos opinião e mais conhecimento. A democracia universaliza o direito à opinião, mas esta de nada vale se ela não é embasada em conhecimento sólido, caso contrário, nada mais será que reflexo do conhecimento de outros, manipulando a massa insana, sedenta de direitos e com pouca, quase nenhuma, visão de deveres e de cidadania.

Como um país que não tem uma educação descente pode gerar líderes? Eu estou querendo demais. Somos produtos de nossa própria biomassa. Dela não vão sair líderes da estatura de um Gandhi, de um Churchill, de um Mandela, de um Lincoln, ou mesmo de nomes nem sempre bem recomendados como Peron ou Vargas. É bem verdade que algumas sociedades geram líderes como Hitler e Mussolini, mas essas são exceções que apenas confirmam a regra: Os homens precisam de líderes. De bons líderes. Os maus líderes, estes devem ser descartados.

É bom que se ressalte que um líder não se faz sozinho. É preciso que os corações e as mentes das pessoas, seus olhos, ouvidos e intelecto estejam propensos a aceitar a liderança daqueles que se destacarem a sua frente.

No Brasil, podemos contar nos dedos os líderes verdadeiros que tivemos. Cabral foi o primeiro comandante desta terra, mas jamais foi seu líder. Antes dos portugueses os chefes indígenas seriam verdadeiros líderes?

Zumbi foi um líder? Acredito que sim. O claudicante D. João VI foi um líder. Mesmo sendo um fraco, ele foi um líder. Tiradentes foi um líder? Penso que foi mais um mártir. Caxias foi líder nas revoltas civis do império e na guerra do Paraguai? Prestes foi um líder, mesmo que de uma pequena parcela de pessoas.

Vargas foi líder. JK foi líder. Tancredo e Ulisses foram líderes. Lula é líder. Nem Dilma nem Aécio o são. Veja que é fácil citar lideres políticos, mas líderes populares que tenham o respeito do povo de forma espontânea nós não temos. Temos ídolos como Pelé e Roberto Carlos.

Um povo sem líderes é um povo sem guias, um povo sem direção.

No Maranhão acontece a mesma coisa só que de forma mais paroquial.

Meu pai foi um líder amado e seguido na região do Vale do Pindaré. O mesmo aconteceu e ainda acontece em várias regiões, mas essa liderança é etérea, passageira, como toda liderança o é, sendo esse tipo de liderança é muito mais frágil e volátil que as outras.

É bom que se ressalte que há diferenças fundamentais entre liderança e chefia. O líder é antes de tudo amado e respeitado enquanto o chefe é apenas temido, como prevê Maquiavel no capítulo XVII de “O Príncipe”.

No Maranhão Magalhães de Almeida foi líder. Vitorino foi líder. Sarney foi líder. Flávio Dino é nosso governador e deseja ser um novo líder. O seu trabalho e o tempo dirão se ele conseguirá ser reconhecido como tal.

Porém, nós maranhenses e nós brasileiros precisamos de um outro tipo de líder. Um que nos oriente independentemente de política partidária, um que se destaque por bravura, pela falta de compromisso consigo mesmo e por total compromisso com tudo aquilo que for correto e melhor para nosso estado, nosso país e nossa gente.

 

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

Busca

E-mail

No Twitter

Posts recentes

Comentários

Arquivos

Arquivos

Categorias

Mais Blogs

Rolar para cima