Referências!…


Referências, para mim, são como bebida e comida, água e pasto… Cabe aqui uma pergunta para confrontar o poeta: “A gente tem sede de quê!? A gente tem fome de quê!?…”

Toda vez que assisto à série Billions, tenho mais certeza de como é importante sermos bem informados sobre tudo o que aconteceu e acontece no mundo. O conhecimento, a informação, o acesso sobre diversos pontos de vistas dos fatos históricos é, em minha opinião, uma das coisas mais importantes, enquanto somos passageiros desta nave chamada erradamente de vida.

A quantidade de informações salpicadas no decorrer de cada episódio de Billionsconstantemente nos confronta com essa necessidade!…

Imaginem estar em uma conversa sobre a atual situação e a importância dos índios americanos no contexto daquela nação, e falarem que os descendentes das tribos nativas da América do Norte não representariam tanto problema hoje em dia, se os administradores dos assuntos indígenas, nos idos do século XIX, tivessem distribuído a eles mais alguns cobertores contaminados! Só quem conhece um pouco da história e das versões sobre ela, comprovadas ou não, é capaz de entender esse texto e seu contexto.

Outro detalhe importante ocorreu quando personagens de Billions comentaram sobre basquetebol, referindo-se à importância que teve Larry Bird naquele maravilhoso time verde de Boston da década de 1970, os Celtics. Só os verdadeiros conhecedores de basquete saberiam sobre o que falavam!…

Nem vou comentar aqui a infinidade de referências sobre negócios, mercados financeiros ou termos legais de advogados e procuradores, assuntos e objetos principais da série. São tantas referências sobre esses temas que, se os quisermos acompanhar, só pausando o filme e recorrendo ao Pai Google, pois sobre a maioria delas, nós pobres mortais, nunca nem ouvimos falar.

Num episódio da quarta temporada, uma das referências chamou a minha atenção imediatamente, pois eu conseguia entender completamente o sentido do que estava sendo dito, mas não tinha a menor ideia sobre quem o Taylor e a Wendy estavam falando… Um tal de Kahn!…

Parei o vídeo e fui direto para o Google, pois não tenho mais nem a Delta-Larrouse, nem a Britânica, ou a Barsa ou a Mirador para recorrer… E se as tivesse, passaria horas até descobrir quem era o tal sujeito.

Só havia entendido a palavra Khan, e que o filho dele havia feito um filme a seu respeito, mas sabia também que o assunto envolvia urbanismo e arquitetura. Fui logo digitando o nomee apareceu: “Louis Isadore Kahn foi um dos grandes nomes da arquitetura mundial. Louis Kahn nasceu na Estônia, mas sua família mudou-se para os Estados Unidos, quando Kahn tinha apenas 5 anos. Foi naturalizado americano em 15 de maio de 1914”.

Mas isso não acontece só desta forma! Você, em uma conversa despretensiosa, se depara com assuntos de que jamais ouviu falar e para não ficar com cara de bobo, assim que pode, saca o smartphone, acessa algum espaço virtual que o coloque up-to-date sobre o papo, e de repente você está de volta, ligado e sincronizado!…

Outro dia dei uma carona para meu eterno mestre, Sebastião Moreira Duarte, que dos homens com quem convivo, é o mais culto, e estávamos conversando sobre a série que estou produzindo e dirigindo a respeito do padre jesuíta Antônio Vieira. No meio da conversa e inspirado por ela, comecei a viajar numa possível abordagem do tema jesuitismo… Repentinamente, Marcelo, meu motorista, deu uma freada. Olhei para ele e vi que ele ficou distraído com nossa conversa e se descuidou do volante, bem na hora em que eu e Sebastião comentávamos sobre as personalidades fortes tanto de Vieira quanto de Savonarola…

Savonarola!… Quem seria capaz de dizer quem foi Savonarola, mas sem recorrer ao Google!?…

Como comecei esse texto confrontando um poeta, quero encerrá-lo confrontando outro: “Ideologia! Eu quero uma pra viver!” Ao que respondo: Neste momento só a ideia pode nos livrar das ideologias, desgastadas e carcomidas por seu mau uso, meu caro amigo poeta, amigo do beija-flor.

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Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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